quarta-feira, 4 de abril de 2012

Vícios

Ai, que bom!
Meu vício é o som
das cordas da voz
e dos violões e
mil outros sons
que ouço fluir
que fluem em mim
que fluem a mil

Sacro e intenso
meu vício é o silêncio
E muito senti
E sinto aos poucos
dizem que sou louco por sentar assim
Meu vício é bonito
Me ensina o infinito
da impermanência, do que se desfaz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
E não vive a paz.

terça-feira, 13 de março de 2012

Estrambolia/ Quando fui vento

Estranho tambor bulia
meu coração, batucada
na mata, melofolia
o vento e a bicharada
Meu corpo todo tremia
coisa que já existia,
mesmo antes d'eu saber o quê,
na minha espinha corria
contando pra eu correr
1, 2, 3 e eu ia
correndo na mata doida
o mato, o galho cortando
zunido de faca sonhando
um calor de brasa ardendo
e meu coração correndo
o medo me corrompendo,
a perna criou vontade.
Me desesperei, fui sofrendo
valei-me, meu pai!
foi doendo
valei-me, gritei, fui correndo
Meu grito pingava chorar
tremendo, queria parar
estranho tambor batucando
meu peito se despedaçando
sentia que ia voar
pensei em parar, não deu tempo
Valei-me, meu pai,
virei vento!

....

Quando virei vento
cheirei o cabelo da cajazeira
ela me sentiu, me deu cajá
eu fui sorriso de borboleta
eu fui caneta de ar
fui assobio de nuvem
fui prenúncio de mar
fui aviso no mundo
de tudo que vai chegar.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Tupinanquim

Tupinanquim, eu pinto assim
em mim, você
Teu passo é laço de beleza
é leveza
Passarinho disse sim
passarinho disse aqui
quer aprender a voar com você

Tupinanquim, é cor em mim
cadê você?
cabelo ao vento, seu momento
é cada ver
E eu me lanço, com certeza
Tua mão é o que eu busco no crepúsculo
eu provo tanto mel

E a lua nos espia
pelo buraco do céu

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Chá

Chá, uma massagem por dentro.
Unguento.
Um beijo líquido, interno e quente
Um beijo ardente de gengibre,
Um sopro fresco de hortelã,
Lambida doce de maçã,
Cinco gotinhas de limão.
Chá, hoje de manhã
Pra esquentar o coração.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Poema para Mariazinha

Maria Maritaca
Tacapiula, como fala!
Abre a boca e deságua
Um dia vai dar no mar

Um mini ser humano
De olhar atrapalhado
Diz que é olhar pra todo lado
Coisa de geminiano

Maria Muriqui
Não faz mais xixi na cama
E agora só reclama
que não sonha mais com o mar

Ria com banguelice
de piada que ela disse
Rimaria com Maria
Risada, xixi e amar

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Apontamentos em dia de praia

Gosto de usar chapéu de sol
pra queimar juízo
e criar sorriso
E, também, pra ser verão
em chuvas de não
Sou sim
Caminhante de mar
e molhante de areia
Só pego jacaré de pensamento

Tem brisa de dentro pra fora
Diz que é mato e tem cheiro verdonho
Depois tem sal, sem idade
e tem sede
Mas aí já são outras águas

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Manoel

Hoje eu deitei com Manoel
E antes de dormirmos
Ele me disse-que pode
fazer com palavras
o que nem palavras sabem fazer delas
Eu cri
Mas só porque senti
E me senti palavra em suas mãos de habilidade